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ABA e comportamentos difíceis

June 7, 2015

 

É comum ouvir no relato de pais e/ou cuidadores de pessoas com desenvolvimento atípico, principalmente em relação a pessoas autistas, queixas relativas a comportamentos difíceis de serem entendidos e manejados. A forma em que esses comportamentos aparecem é ampla e depende da história de relações de cada indivíduo com seu ambiente, mas frequentemente o relato faz referência a comportamentos agressivos em relação a si mesmo (auto-lesivos) como por exemplo, bater a cabeça ou bater em si mesmo com as mãos; comportamentos agressivos em relação aos outros (hetero-agressivo) como por exemplo, bater, chutar, morder ou puxar o cabelo de pessoas próximas e comportamentos associados a um padrão de birra ou recusa como, chorar, se jogar no chão ou gritar. Esses padrões de comportamentos receberam nas últimas décadas atenção na produção de conhecimento da Análise do Comportamento Aplicada (ABA) e diversas estratégias de intervenção foram criadas a fim de reduzir ou eliminar esses comportamentos que geram prejuízos e danos tanto para a pessoa que se comporta quanto para seus familiares e ambiente físico. Grande parte dos comportamentos descritos acima tem relação com déficits de linguagem verbal e não verbal que normalmente acompanham a pessoa com autismo. A dificuldade da pessoa com desenvolvimento atípico em usar a linguagem de forma expressiva, comunicar seus desejos e expressar seus sentimentos e sensações de forma clara muitas vezes faz com que comportamentos que inicialmente não tem a função de comunicação adquiram esse caráter. 
Nesse texto pretendo abordar como esses padrões são construídos, formas de observar esses comportamentos e estratégias para a mudança.
A Análise do Comportamento Aplicada (ABA) é um dos campos de pesquisa e atuação que constituem a Análise do Comportamento. Os outros dois campos que fazem parte dessa ciência são a Análise Experimental do Comportamento, pesquisas em ambientes controlados, e o Behaviorismo Radical, a filosofia que embasa a ciência do comportamento. O ABA ao contrário de outros campos de saber da psicologia, busca explicar através da analise das relações entre as pessoas e seus ambientes, tanto culturais quanto físicos, as razões pelas quais elas se comportam da forma que o fazem. A unidade básica de análise utilizada é a tríplice contingência, a qual é utilizada para observar e criar relações entre o contexto presente, a resposta da pessoa (comportamento) e a consequência que essa resposta (comportamento) tem no mundo. A depender das consequências que o comportamento tem no mundo ele pode se tornar mais provável ou menos provável de aparecer em situações semelhantes no futuro. O comportamento é dessa forma moldado pelas suas consequências. Consequências que geram a introdução de algum elemento positivo após a resposta são chamadas de reforçadoras e aumentam a probabilidade de que a resposta que antecedeu essa consequência seja emitida em situações semelhantes no futuro. Esse processo recebe o nome de reforçamento, que pode ser positivo, quando a consequência adiciona algo no mundo da pessoa que se comporta, ou negativo, quando a consequência retira algum elemento aversivo do mundo da pessoa. Para exemplificar utilizarei algumas situações cotidianas. Por exemplo, se em determinado momento da sua vida, uma criança faz um desenho e mostra para seus pais, e eles orgulhosos do resultado do desenho elogiam o produto da ação de seu filho, é provável  que a criança se engaje novamente em realizar desenhos e o faça com interesse e prazer. Nesse caso temos um exemplo de uma resposta que foi reforçada positivamente e aumentou de frequência. No caso do reforçamento negativo, é necessário que exista algum elemento aversivo anterior que seja eliminado pela emissão da resposta. Por exemplo, uma criança acorda no meio da noite sozinha em seu quarto escuro, sente medo da situação e começa a chorar, ao chorar seus pais acordam se dirigem até o quarto da criança, ligam a luz e a acolhem. O comportamento de chorar nesse caso será reforçado negativamente, ou seja, em situações semelhantes no futuro ele terá a chance de aparecer aumentada. Ambos exemplos demonstram situações onde o comportamento gerou mudanças no mundo, mudanças que retroagiram sobre o comportamento aumentando sua probabilidade de aparecimento futuro. Existe também a possibilidade de que nossos comportamentos não gerem mudanças e por essa razão desapareçam. Utilizamos o nome extinção para definir esse processo. Pegando os exemplos anteriores, se a criança tivesse mostrado o desenho para os pais e eles não tivessem falado na sobre o desenho, ou se o choro da criança no quarto não tivesse produzido a retirada da situação aversiva, ambos os comportamentos teriam sua chance futura de aparecer reduzida. Existe também a possibilidade de que nossos comportamentos produzam a introdução de uma situação aversiva ou a retirada de uma positiva, chamamos esse processo de punição, mas como o ABA se opõe veementemente a utilização desse tipo de processo, não gastarei tempo aprofundando esse tipo de relação.
Até o momento vimos que o comportamento humano é construído através de suas consequências no ambiente, que pode ter sua frequência aumentada através do processo de reforçamento e reduzida através da extinção (corte na relação entre comportamento e consequência). No inicio do texto falei sobre os déficits comunicativos que podem acompanhar pessoas com autismo e com outras alterações no desenvolvimento, esses déficits prejudicam a expressão de desejos e o compartilhamento de sentimentos e sensações. A pessoa que não desenvolve a comunicação verbal desenvolve outras formas de pedidos e de comunicação, e recorrentemente comportamentos problemas tem esse valor comunicativo. É importante ressaltar que todo comportamento tem alguma função no mundo, se não não existiria, dessa forma mesmo quando nos deparamos com comportamentos diferentes é necessário entender que ele foi selecionado através do processos de reforçamento e que existe pois tem uma função na vida da pessoa que se comporta. Segundo Kathy Lear (2004) “Por causa de limitações de linguagem, crianças com desenvolvimento atípico podem ser incapazes de identificar seus sentimentos ou intenções. Para lidar adequadamente com comportamentos, precisamos observar e entender as suas funções. O que faremos para lidar com estes comportamentos dependerá completamente da função que eles têm para cada criança em particular. Por exemplo, embora um comportamento possa parecer agressivo (como bater), isto não significa necessariamente que a intenção ou função do comportamento também seja agressiva. Bater em alguém poderia ser um modo inadequado de comunicar-se e dizer “oi!”. Para outra criança, bater pode ser usado para dizer “não”; e para outra criança pode ser puramente um gesto agressivo. “
A fim de entender e intervir em comportamentos difíceis, o doutor em psicologia Brian A. Iwata em 1994 ajudou a desenvolver uma metodologia de intervenção que busca traçar relação entre os comportamentos difíceis e suas provaveis causas. Essa metodologia recebe o nome de Análise Funcional, e busca entender quais são as variaveis anteriores e as consequências reforçadoras que mantem os comportamentos difíceis que ele se propôs a estudar. Comportamentos difíceis tem basicamente 4 possíveis funções: 
1. Reforçamento Social Positivo, que pode ocorrer quando, por exemplo, após um comportamento os pais, professores ou colegas se aproximam e interagem com a criança que se comportou, mesmo que seja dando uma bronca ou repreensão. Muitas pessoas definem esses comportamentos como comportamentos que buscam a atenção.
2. Reforçamento através da entrega de um item de interesse, que ocorre quando, após um comportamento difícil, é entregue algum item de interesse da criança como, por exemplo, um ipad.
3. Reforçamento negativo ou fuga/esquiva de situações não desejadas, que ocorre quando após um comportamento difícil, é retirada uma demanda que estava sendo colocada e que a criança não tinha interesse. Por exemplo, ao ser demandado uma atividade a criança se joga no chão e a demanda é retirada.
4. Reforçamento automático, ou seja, o comportamento é reforçado pela própria estimulação fisíca que o comportamento gera para a pessoa.

É importante ressaltar que os processos de reforçamento positivo e negativo são os fatores que geram padrões de comportamentos difíceis, e que se estivermos interessados em altera-los, precisamos entender qual é a relação entre esses comportamentos e o mundo da pessoa que se comporta. Para isso precisamos entender o contexto em que o comportamento se insere e as consequências dele nesse contexto. 

Algumas alternativas para lidar com esses comportamentos são: O ensino de respostas alternativas de comunicação aliado à extinção do comportamento difícil e o bloqueio de respostas de fuga/manutenção da demanda. Se por acaso identificamos que determinado comportamento tem a função de atenção social, ou seja, que ele ocorre para chamar a atenção de outras pessoas, precisamos ensinar respostas alternativas as atuais e utilizar reforçamente positivo para que elas aumentem de frequência, ao mesmo tempo em que os comportamentos difíceis sejam colocados em extinção. Se o caso for de um comportamento sob função de fuga de uma demanda, é importante que a demanda não seja retirada mesmo com o aparecimento de comportamentos difíceis. O trabalho de um psicólogo ABA é identificar as variaveis mantenedoras e trabalhar a fim de altera-las. Apesar de certas estratégias caminharem para remover o comportamento difícil, o ABA é uma abordagem construtora, ou seja, sempre estará pensando em desenvolver novas e melhores formas de interação entre a pessoa e seu ambiente. Algumas pesquisas com métodos de comunicação alternativas como o PECS, demonstram que assim que uma resposta adequada é ensinada, é provável que os comportamentos difíceis que antes apareciam e tinham a mesma função da nova resposta diminuam.

 

Para aprender mais:

 

 Apostila Teach Us Learn – Traduzida.

http://www.autismo.psicologiaeciencia.com.br/wp-content/uploads/2012/07/Autismo-ajude-nos-a-aprender.pdf​​

 

TOWARD A FUNCTIONAL ANALYSIS OF SELF-INJURY - BRIAN A. IWATA

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1297798/pdf/jaba00008-0005.pdf

 

 

 

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